Quando foi a última vez que abrandou?

Vivemos numa época em que estar ocupado se tornou quase um símbolo de sucesso.

Corremos de compromisso em compromisso, respondemos a mensagens enquanto realizamos outras tarefas, acumulamos responsabilidades e habituamo-nos a viver em constante aceleração. Muitas vezes, terminamos o dia cansados, mas sem a sensação de termos verdadeiramente estado presentes em nenhum momento.

Mas será que fomos feitos para viver sempre assim?

A verdade é que o corpo humano não foi desenhado para permanecer permanentemente em modo de alerta. Ao longo da nossa evolução, os períodos de esforço alternavam naturalmente com momentos de recuperação. Hoje, porém, a fronteira entre atividade e descanso tornou-se cada vez mais difusa. Estamos ligados quase o tempo todo, expostos a estímulos constantes e sujeitos a um ritmo que raramente nos permite parar.

Talvez por isso tantas pessoas sintam que vivem cansadas, mesmo quando dormem. Ou que chegam ao fim de semana sem energia, apesar de terem passado dias inteiros a tentar dar resposta a tudo.

O descanso não é um prémio

Existe uma ideia profundamente enraizada na nossa cultura: a de que só merecemos descansar depois de concluirmos todas as tarefas.

O problema é que as tarefas raramente acabam.

Há sempre mais um email para responder, mais uma reunião, mais uma preocupação, mais uma responsabilidade. Quando o descanso depende de terminar tudo o que está pendente, acaba muitas vezes por nunca acontecer verdadeiramente.

No entanto, descansar não é um luxo nem uma recompensa. É uma necessidade biológica.

Tal como precisamos de nos alimentar, hidratar ou movimentar, também precisamos de recuperar. É durante os períodos de descanso que o organismo regula funções essenciais, consolida aprendizagens, restaura energia e cria condições para responder aos desafios do dia seguinte.

Abrandar não significa parar

Quando falamos em abrandar, não estamos necessariamente a falar de fazer menos.

Estamos a falar de viver com mais intenção.

Abrandar pode significar caminhar sem olhar para o telemóvel. Fazer uma refeição com atenção ao sabor dos alimentos. Conversar sem distrações. Respirar fundo antes de reagir a uma situação difícil. Reservar alguns minutos para estar consigo próprio sem sentir que precisa de ser produtivo.

São momentos simples, mas que permitem interromper o piloto automático que tantas vezes domina os nossos dias.

E, curiosamente, é nesses momentos que muitas pessoas voltam a sentir clareza, criatividade e energia.

O impacto da pressa na saúde

Viver constantemente acelerado não afeta apenas a forma como nos sentimos. Tem também consequências reais na saúde física e mental.

A exposição prolongada ao stress está associada a alterações do sono, fadiga persistente, maior risco cardiovascular, dificuldades de concentração e aumento da vulnerabilidade a vários problemas de saúde.¹

Além disso, quando estamos permanentemente em modo de urgência, tendemos a negligenciar comportamentos fundamentais para o bem-estar. Comemos mais depressa, movimentamo-nos menos, dormimos pior e encontramos menos espaço para cuidar das relações e das atividades que nos dão prazer.

Por vezes, o problema não é falta de conhecimento sobre o que devemos fazer. É simplesmente falta de espaço para o fazer.

Talvez não precise de fazer mais

Quando pensamos em melhorar a saúde, é comum procurar novas estratégias, novas metas e novos objetivos.

Mas talvez a pergunta mais importante seja outra.

Talvez não seja: “O que mais posso acrescentar à minha vida?”

Talvez seja: “O que posso simplificar?”

Talvez exista uma atividade que já não lhe acrescenta valor.

Talvez exista um compromisso que pode ser repensado.

Talvez exista um momento do dia que pode voltar a ser seu.

Muitas vezes, cuidar da saúde não passa por fazer mais. Passa por criar espaço para aquilo que realmente importa.

O que realmente importa

A saúde não se constrói apenas através das decisões que tomamos quando estamos motivados.

Constrói-se também nos momentos em que escolhemos respeitar os nossos limites, ouvir os sinais do corpo e reconhecer a importância da recuperação.

Num mundo que valoriza constantemente a velocidade, abrandar pode parecer um contrassenso.

Mas, por vezes, é precisamente isso que nos permite avançar melhor.

Porque viver com mais saúde não significa fazer tudo.

Significa encontrar um ritmo que nos permita viver bem.

Com mais presença. Mais energia. Mais equilíbrio. E mais vida.

Referências

World Health Organization. Mental health at work. Geneva: World Health Organization; 2022.

McEwen BS. Protective and damaging effects of stress mediators. N Engl J Med. 1998;338(3):171-179.

American College of Lifestyle Medicine. Lifestyle Medicine Core Competencies Program. Chesterfield, MO: American College of Lifestyle Medicine; 2024.

Hall MH, Casement MD, Troxel WM, Matthews KA, Bromberger JT, Kravitz HM, et al. Chronic stress is prospectively associated with sleep in midlife women: the SWAN Sleep Study. Sleep. 2015;38(10):1645-1654.

Henson RK, Carey MP, Carey KB, Maisto SA. Associations among health behaviors and emerging adulthood. J Behav Med. 2006;29(6):537-548.

A importância do exercício físico na regulação da saúde hormonal da mulher

O exercício físico desempenha um papel muito relevante na regulação e manutenção da saúde hormonal da mulher. A prática regular de atividades física pode influenciar positivamente diversos aspetos hormonais, proporcionando benefícios para a saúde geral e bem-estar.

Apresentamos de seguida alguns dos efeitos do exercício físico na saúde hormonal da mulher:

Regulação dos níveis de estrogénio

O estrogénio é uma hormona importante para a saúde reprodutiva, óssea e cardiovascular das mulheres. A prática regular de exercício físico pode ajudar a regular os níveis de estrogénio, especialmente em mulheres que estão a entrar na menopausa ou que têm desequilíbrios hormonais. Estudos mostram que o exercício físico pode ajudar a reduzir os sintomas da menopausa, como ondas de calor e alterações de humor, ao equilibrar os níveis de estrogénio (Daley et al., 2015).

Melhoria da sensibilidade à insulina

O exercício físico aumenta a sensibilidade à insulina, promovendo uma melhor regulação dos níveis de glucose no sangue. Isso é especialmente importante para as mulheres, pois a resistência à insulina está associada ao desenvolvimento de síndrome dos ovários poliquísticos (SOP), uma desordem endocrinológica comum que pode afetar a fertilidade e o ciclo menstrual (Moran et al., 2011).

Redução do stress e melhoria do humor

O exercício físico estimula a liberação de endorfinas, neurotransmissores que atuam como analgésicos naturais e promovem sensações de bem-estar e felicidade. Além disso, o exercício físico ajuda a reduzir os níveis de cortisol, a hormona do stress, o que pode ajudar a aliviar sintomas de ansiedade, depressão e alterações de humor relacionadas com o ciclo menstrual e a menopausa (Stubbs et al., 2017).

Promoção da saúde óssea

O exercício físico é crucial para a saúde óssea das mulheres. A formação e manutenção da massa óssea são influenciadas por hormonas como o estrogénio e a testosterona. O exercício regular, especialmente o exercício de alto impacto e de fortalecimento muscular, estimulam a produção dessas hormonas e proporcionam um estímulo efetivo para a formação óssea, contribuindo para a prevenção da osteoporose e outras doenças ósseas (Kohrt et al., 2004).

Melhoria da função cardiovascular

O exercício físico regular tem efeitos benéficos sobre o perfil lipídico, reduzindo os níveis de colesterol LDL (colesterol “mau”) e aumentando os níveis de colesterol HDL (colesterol “bom”). Além disso, o exercício físico ajuda a regular a pressão arterial e reduz o risco de doenças cardiovasculares, que são influenciadas por desequilíbrios hormonais, como o aumento dos níveis de estrogénio após a menopausa (Cornelissen & Smart, 2013).

Portanto, o exercício físico regular desempenha um papel fundamental na manutenção da saúde hormonal da mulher, contribuindo para o equilíbrio hormonal e promoção do bem-estar geral.

Pedro Machado

Fisioterapeuta e investigador

Referências

Daley, A., MacArthur, C., & Mutrie, N. (2015). Exercise for vasomotor menopausal symptoms. The Cochrane Database of Systematic Reviews, (6), CD006108.

Moran, L. J., Pasquali, R., Teede, H. J., Hoeger, K. M., & Norman, R. J. (2011). Treatment of obesity in polycystic ovary syndrome: a position statement of the Androgen Excess and Polycystic Ovary Syndrome Society. Fertility and Sterility, 95(6), 1841-1852.

Stubbs, B., Vancampfort, D., Rosenbaum, S., Firth, J., Cosco, T., Veronese, N., … & Schuch, F. B. (2017). An examination of the anxiolytic effects of exercise for people with anxiety and stress-related disorders: A meta-analysis. Psychiatry Research, 249, 102-108.

Kohrt, W. M., Bloomfield, S. A., Little, K. D., Nelson, M. E., Yingling, V. R., & American College of Sports Medicine. (2004). American College of Sports Medicine Position Stand: Physical activity and bone health. Medicine and Science in Sports and Exercise, 36(11), 1985-1996.

Cornelissen, V. A., & Smart, N. A. (2013). Exercise training for blood pressure: a systematic review and meta-analysis. Journal of the American Heart Association, 2(1), e004473.

Exercício físico no tratamento do cancro colorretal: um aliado terapêutico

Sabia que a prática de exercício físico pode ser uma ferramenta essencial durante o tratamento do cancro colorretal?

O cancro colorretal é uma das neoplasias mais prevalentes em Portugal e no mundo. A evidência científica tem demonstrado que o exercício físico, quando integrado de forma segura e supervisionada no plano terapêutico, pode melhorar a resposta ao tratamento, aliviar efeitos secundários e potenciar a qualidade de vida.

Na Physioclem, desenhamos programas específicos de exercício oncológico que respeitam o estado clínico, a fase do tratamento e a condição física de cada pessoa.

1. Redução dos Efeitos Secundários do Tratamento

A quimioterapia e a radioterapia podem provocar fadiga, perda de massa muscular, redução da força e descondicionamento geral. O exercício físico ajuda a contrariar esses efeitos, promovendo uma recuperação funcional mais rápida e eficaz.

2. Melhoria da Qualidade de Vida

Os doentes que praticam exercício com regularidade reportam mais energia, vitalidade e bem-estar emocional. Também mantêm maior autonomia para realizar atividades do dia a dia — mesmo durante as fases mais exigentes do tratamento.

3. Controlo do Peso Corporal

Manter um peso saudável é essencial durante e após o tratamento oncológico. O exercício físico regula o metabolismo e contribui para a estabilidade do peso, fator importante na prevenção de recidivas tumorais.

4. Reforço do Sistema Imunitário

Exercício físico de intensidade moderada tem efeitos positivos na função imunitária, aumentando a resistência a infeções – um risco comum nos doentes em tratamento.

5. Impacto Emocional Positivo

Além dos benefícios físicos, a atividade física melhora o humor, reduz sintomas de ansiedade e depressão e contribui para uma autoestima mais estável. O corpo reage melhor quando também nos sentimos emocionalmente mais fortes.

6. Menor Risco de Recorrência e Maior Sobrevivência

Um grande estudo internacional demonstrou que o exercício físico supervisionado, iniciado após o tratamento com quimioterapia, reduziu em 28% o risco de recurrência de cancro do cólon e aumentou em 6-8% a sobreviva aos 5 e 8 anos.

Programas Adaptados à Realidade de Cada Doente

Na Physioclem, os programas de exercício oncológico são personalizados. Avaliamos:

  • Estágio da doença
  • Tipo de tratamento em curso
  • Aptidão física
  • Presença de outras condições clínicas

Cada plano é acompanhado por fisioterapeutas com formação específica na área da oncologia.

Em jeito de conclusão

O exercício físico é mais do que uma recomendação — é uma intervenção segura, eficaz e transformadora no contexto do cancro colorretal.

Cuidar do corpo durante o tratamento é possível, necessário e traz resultados.

Se está em tratamento ou recuperação de cancro colorretal, fale connosco. Estamos aqui para o acompanhar com segurança, conhecimento e atenção ao seu ritmo.

Pedro Machado

Fisioterapeuta e investigador

A importância do exercício físico na saúde óssea da mulher

A importância do exercício físico na saúde óssea da mulher é amplamente reconhecida pela comunidade científica e pelos profissionais de saúde. Estudos têm demonstrado que o exercício físico regular, como a caminhada, corrida e os exercícios de fortalecimento muscular, podem aumentar a densidade óssea, tornando os ossos mais fortes e menos propensos a fraturas.

A importância do exercício físico na saúde óssea da mulher é amplamente reconhecida pela comunidade científica e pelos profissionais de saúde. Estudos têm demonstrado que o exercício físico regular, como a caminhada, corrida e os exercícios de fortalecimento muscular, podem aumentar a densidade óssea, tornando os ossos mais fortes e menos propensos a fraturas. A força mecânica aplicada ao tecido ósseo durante o exercício estimula a formação óssea e a remodelação, levando a um aumento da densidade mineral óssea (DMO) (Babatunde et al., 2007).

Além disso, as mulheres são particularmente vulneráveis à osteoporose, especialmente após a menopausa devido à diminuição dos níveis de estrogénio. O exercício físico regular pode ajudar a prevenir a osteoporose ao estimular a síntese óssea e reduzir a perda óssea associada ao envelhecimento e à menopausa (Wolff et al., 1999).

Além de fortalecer os ossos, o exercício físico também melhora o equilíbrio, a coordenação e a propriocepção, o que pode reduzir o risco de quedas e fraturas em mulheres mais velhas. A prática de exercícios que estimulem o equilíbrio, como o tai chi e o yoga, pode ser particularmente benéfica nesse aspeto (Sherrington et al., 2008).

A saúde óssea está intimamente ligada à saúde muscular. O fortalecimento muscular através de um programa de exercício físico personalizado ajuda a suportar e proteger os ossos, reduzindo o risco de lesões e fraturas. Adicionalmente, a contração muscular durante o exercício exerce uma força sobre a estrutura óssea, estimulando a formação óssea.

Portanto, o exercício físico regular é essencial para manter a saúde óssea das mulheres em todas as fases da vida. A combinação de exercício aeróbio, exercício de fortalecimento muscular e atividades que melhoram o equilíbrio e a coordenação pode proporcionar os melhores benefícios para a saúde óssea.

Pedro Machado

Fisioterapeuta e investigador

Referências

Babatunde, O. O., Forsyth, J. J., & Gidlow, C. J. (2007). A meta-analysis of brief high-impact exercises for enhancing bone health in premenopausal women. Osteoporosis International, 18(3), 307-320.

Wolff, I., van Croonenborg, J. J., Kemper, H. C., Kostense, P. J., & Twisk, J. W. (1999). The effect of exercise training programs on bone mass: a meta-analysis of published controlled trials in pre- and postmenopausal women. Osteoporosis International, 9(1), 1-12.

Sherrington, C., Tiedemann, A., Fairhall, N., Close, J. C., & Lord, S. R. (2008). Exercise to prevent falls in older adults: an updated meta-analysis and best practice recommendations. New South Wales public health bulletin, 19(3-4), 53-58.

Borer, K. T. (2005). Physical activity in the prevention and amelioration of osteoporosis in women: interaction of mechanical, hormonal and dietary factors. Sports Medicine, 35(9), 779-830.

E se o segredo estivesse nas pequenas coisas?

Vivemos numa época em que tudo parece acontecer depressa. Procuramos resultados rápidos, soluções imediatas e respostas que nos permitam sentir melhor o mais cedo possível. No entanto, quando falamos de saúde e bem-estar, os processos verdadeiramente transformadores raramente seguem esse ritmo.

Muitas vezes acreditamos que, para viver melhor, precisamos de mudar tudo ao mesmo tempo: começar a fazer exercício regularmente, alterar completamente a alimentação, dormir mais horas, reduzir o stress e encontrar mais tempo para nós próprios. Mas essa expectativa, apesar de bem-intencionada, pode tornar-se um obstáculo. Quando a mudança parece demasiado grande, é fácil adiar o primeiro passo.

A boa notícia é que a ciência nos mostra uma realidade diferente. As mudanças mais duradouras não costumam nascer de decisões radicais, mas sim de pequenas escolhas que se repetem diariamente e que, com o tempo, se transformam em hábitos.

O impacto das pequenas escolhas

Quando pensamos na nossa saúde, tendemos a valorizar apenas os grandes resultados: perder peso, reduzir a medicação, melhorar os exames ou alcançar uma determinada meta física. Contudo, esses resultados são normalmente a consequência de dezenas ou centenas de pequenas decisões tomadas ao longo do caminho.

Uma caminhada de 15 minutos pode parecer pouco. Preparar uma refeição mais equilibrada pode parecer um detalhe. Deitar-se meia hora mais cedo pode parecer insignificante. No entanto, quando estas ações passam a fazer parte da rotina, o seu impacto acumula-se e torna-se visível.

A investigação na área da mudança comportamental demonstra precisamente isso: os hábitos consistentes têm um efeito mais significativo na saúde do que as mudanças intensas, mas difíceis de manter. O segredo não está na perfeição. Está na continuidade.

Um estilo de vida saudável é mais do que alimentação e exercício

Durante muitos anos, a conversa sobre saúde esteve centrada quase exclusivamente no peso corporal, na alimentação ou na prática de exercício físico. Hoje sabemos que o bem-estar é muito mais amplo.

A forma como dormimos, gerimos o stress, cultivamos relações significativas e encontramos propósito no dia a dia influencia profundamente a nossa saúde física e emocional.

Por isso, quando falamos de um estilo de vida equilibrado, falamos de olhar para a pessoa como um todo.

Falamos da importância de reservar momentos de pausa numa rotina exigente. De proteger o sono como um dos pilares da saúde. De encontrar prazer no movimento. De cuidar das relações que nos fazem sentir ligados aos outros. E de criar espaço para aquilo que nos traz significado.

Nenhum destes aspetos funciona de forma isolada. Todos se influenciam mutuamente e contribuem para a construção de uma vida mais saudável e mais plena.

Menos perfeição, mais consistência

Uma das ideias mais libertadoras quando falamos de saúde é perceber que não precisamos de fazer tudo de forma perfeita.

Na verdade, a procura constante pela perfeição é muitas vezes uma das principais razões para o abandono das mudanças que tentamos implementar.

A consistência é mais importante do que a intensidade.

Uma pessoa que caminha várias vezes por semana tende a beneficiar mais do que alguém que faz exercício de forma muito intensa apenas ocasionalmente. Da mesma forma, uma alimentação equilibrada na maior parte do tempo produz mais benefícios do que ciclos repetidos de restrição seguidos de desistência.

A saúde não depende de um dia perfeito. Constrói-se através das escolhas que fazemos na maioria dos dias, mesmo quando a motivação não é a mesma ou quando a vida se torna mais desafiante.

Por onde começar?

Se sente que precisa de cuidar mais de si, talvez a melhor pergunta não seja: “O que tenho de mudar na minha vida?”

Talvez a pergunta mais útil seja: “Qual é a pequena mudança que consigo começar hoje?”

Pode ser caminhar mais alguns minutos por dia. Beber mais água. Criar uma rotina de sono mais consistente. Fazer uma pausa para respirar profundamente entre reuniões. Ou simplesmente marcar aquela consulta que anda a adiar há demasiado tempo.

O mais importante não é a dimensão da mudança, mas a sua capacidade de a integrar na sua vida de forma realista e sustentável.

Os grandes resultados raramente surgem de uma decisão isolada. São construídos através de pequenos passos que, ao longo do tempo, reforçam a confiança, criam novas rotinas e abrem caminho para transformações mais profundas.

Em síntese

Vivemos numa cultura que valoriza grandes transformações, mas a verdadeira mudança acontece muitas vezes de forma silenciosa.

Acontece nas pequenas escolhas do dia a dia. Nos hábitos que repetimos sem dar conta. Nos momentos em que decidimos cuidar um pouco melhor de nós próprios.

Na Clínica Estilo de Vida acreditamos que viver melhor não exige uma revolução. Exige apenas um ponto de partida.

Porque, muitas vezes, o segredo esteve sempre nas pequenas coisas.

Referências

Lally P, van Jaarsveld CHM, Potts HWW, Wardle J. How are habits formed: Modelling habit formation in the real world. Eur J Soc Psychol. 2010;40(6):998-1009.

World Health Organization. Noncommunicable diseases. Geneva: World Health Organization; 2025.

American College of Lifestyle Medicine. Lifestyle Medicine Core Competencies Program. Chesterfield, MO: ACLM; 2024.

Warburton DER, Bredin SSD. Health benefits of physical activity: a systematic review of current systematic reviews. Curr Opin Cardiol. 2017;32(5):541-556.

Kushner RF, Sorensen KW. Lifestyle medicine: the future of chronic disease management. Curr Opin Endocrinol Diabetes Obes. 2013;20(5):389-395.