Exercício físico supervisionado pode ajudar a viver melhor com cancro da mama metastático
Descansar nem sempre chega para combater a fadiga do cancro. A ciência está a mostrar outro caminho.

Os avanços nas terapêuticas oncológicas têm permitido aumentar a sobrevida das mulheres com cancro da mama metastático. No entanto, viver mais tempo não significa necessariamente viver com melhor qualidade de vida.
A própria doença e os seus tratamentos podem provocar sintomas muito debilitantes. Entre eles, a fadiga é um dos mais frequentes e com maior impacto no quotidiano.
Mas o que significa, afinal, fadiga relacionada com o cancro?
Não se trata simplesmente de “estar cansada”. É uma sensação persistente e intensa de cansaço, desproporcional às atividades realizadas e que não é totalmente aliviada pelo descanso. Pode limitar significativamente as atividades do dia a dia e comprometer a qualidade de vida.
Embora exista já uma ampla evidência científica sobre os benefícios do exercício físico na redução da fadiga em mulheres com cancro da mama em fases iniciais, os estudos realizados em mulheres com doença metastática são ainda relativamente escassos.
Um novo estudo internacional vem agora reforçar a importância do exercício neste contexto
Com 357 participantes, este é um dos maiores estudos realizados até à data sobre uma intervenção de exercício físico em mulheres com cancro da mama metastático.
Durante 9 meses, as participantes realizaram um programa de exercício físico supervisionado, que combinava:
- Exercício aeróbio
- Fortalecimento muscular
- Exercícios de equilíbrio
Os resultados foram significativos. Comparativamente ao grupo de controlo, as mulheres que realizaram o programa apresentaram:
- Melhor qualidade de vida
- Menos dor e dispneia
- Melhor capacidade física
E há ainda outro aspeto particularmente importante: a segurança.
Como algumas destas mulheres apresentam metástases ósseas e, consequentemente, um risco acrescido de fratura, os exercícios foram cuidadosamente adaptados às características e necessidades de cada participante.
A intervenção apresentou uma reduzida incidência de eventos adversos e uma taxa de adesão superior a 75%, reforçando a possibilidade de integrar o exercício físico nos cuidados de suporte destas mulheres quando adequadamente prescrito e supervisionado.
O que nos diz este estudo?
O exercício físico não deve ser encarado apenas como uma recomendação genérica de “manter-se ativa”. Quando prescrito, adaptado e supervisionado por profissionais qualificados, pode constituir uma importante intervenção de suporte, contribuindo para reduzir sintomas e melhorar a qualidade de vida de mulheres que vivem com cancro da mama metastático.
Porque, no contexto da doença metastática, o objetivo não é apenas viver mais.
É também procurar viver melhor.
Fonte: Hiensch AE et al. Nature Medicine, 2024. https://doi.org/10.1038/s41591-024-03143-y
Pedro Machado
Fisioterapeuta e Fisiologista do exercício com Formação avançada em prescrição de exercício em doentes oncológicos, Liga Portuguesa Contra o Cancro